segunda-feira, novembro 24, 2014

#DeVoltaPraCasa

Já era hora de voltar para casa. Afinal, desde 2010, estava longe daquele lugar tão familiar, da minha família, daqueles amigos que nunca fiz, mas que conhecia tão bem. Da esposa do velho Calabrês, que morreu do coração enquanto ouvia o jogo e que deixou como herança apenas uma bandeira. Do anjo que sumiu de repente. Do cara chato que colocava seu rádio dentro de um saco plástico e, com o volume máximo deixava todos malucos ao seu redor. Do vendedor de medalhas, do baleiro que trocava "Mentex" por "Mentek", das bandeiras, do mar verde que agitava aquele bairro tranquilo da Zona Oeste de São Paulo.

Na reinauguração do Palestra Itália, que agora se chama Allianz Parque, o que menos importava era o resultado e aqui, nem quero falar de futebol. 
Porque para um certo grupo formado por milhões de apaixonados, o resultado é o de menos. Nós estaremos lá, seguindo esta camisa, cada um com seus motivos para estar lá, mas todos com um propósito. Estar com a família.
Estivemos fora de casa durante 4 anos. Nos reunimos em outras casas, aconchegantes até, mas não chegavam nem perto do aconchego do lar. 

Sabe aquele tio que você adora, vê apenas nas festas de final de ano, contando piadas, fazendo a alegria da família? Então. Era como se você fosse morar com o esse tio. No começo é muito legal, mas de repente você percebe que seu ele só parece legal porque você o vê poucas vezes durante o ano. 
A saudade se misturava com a curiosidade de saber como estava aquele canto que era seu, o lugar na arquibancada, minha superstição era ficar debaixo do "C" do AntarCtica na placa. Confesso que ainda preciso achar o lugar ideal.
Está tudo tão bonito, tão moderno, organizado. Demorei um pouco para me encontrar, para assimilar que tudo tinha mudado. As cadeiras, a distância do campo, a localização das torcidas, do banco de reservas. Mas ainda é nossa casa. A sensação ao entrar foi a mesma da primeira vez, em 1987. 
A diferença está apenas dentro das quatro linhas, infelizmente. Os jogadores já não são os mesmos. Não tinha Edmundo, Evair, Zinho, César Sampaio, Cafu, Rivaldo, Djalminha, Paulo Nunes, Oséas, Alex, Marcos. Diego Souza estava do outro lado, com uma camisa que não era verde, não era nossa. 
Mas naquele dia não importava. 
A família estava de volta ao lar. Estávamos juntos novamente, cantando as mesmas canções, torcendo, xingando, brigando. Porque somos assim.
Porque somos Palmeiras.










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