quarta-feira, outubro 01, 2014

A vida secreta de Léo Pollisson



Nas primeiras horas da segunda, resolvi assistir um filme que peguei emprestado da minha namorada. "A Vida Secreta de Walter Mitty". Certamente você não assistiu, talvez tenha visto o trailer, mas imaginar Ben Stiller fazendo um filme dramático não lhe convenceu a assisti-lo. 
Já era tarde. Confesso que coloquei o DVD só para ter uma companhia antes de pegar no sono. Mas logo no início do filme, acabei me identificando com uma cena. Mal sabia que me identificaria com o filme como não acontecia desde "O Lado bom da Vida". (Melhor não falar sobre isso)

Desde pequeno eu vivo uma realidade alternativa. Um mundo em que eu posso ser o que eu quiser: jogador de futebol, estrela de cinema, um bom marido, um pai excelente, um dos X-Men ou o Spiderman. Geralmente isso acontece quando alguém me pergunta algo. Por isso algumas vezes pareço distante ou desinteressado. Não é por mal. Já me disseram que era D.D.A., mas já aconteceu de eu estar em um casamento e imaginar o teto desabar e só não matar todos na igreja porque eu consegui controlar as pedras com meu poder telecinético.
(Não é spoiler, tem no trailer essa parte)
Logo no início do filme, Mitty ouve uma pergunta. "Você já fez algo incrível? Já esteve em algum lugar inesquecível."

Respondi a mim mesmo. 
"Não."
E a partir daí fiz uma viagem às minhas lembranças mais remotas. A última vez que me lembro de ter feito algo realmente marcante, inesquecível, foi em 1997, em Fortaleza.
De lá pra cá, tantas coisas aconteceram em minha vida que eu acabei esquecendo de um detalhe: eu. 
Deixei passar grandes oportunidades. Por medo, por falta de apoio, falta de dinheiro, de companhia, de coragem. Ou seja, um idiota. 
Porque?
Eu não sei.
O fato é que as vezes acho que minha imaginação vai até onde eu não tenho coragem de ir. Por muito tempo, isso parecia divertido. Mas não é mais.
São quase 35 anos de vida. Quase 18 desde aquela viagem e a sensação de chegar no aeroporto e ter a certeza que seria a primeira de muitas outras viagens inesquecíveis. 
Não foi. Mas pode ser.
Ainda este ano vou fazer isso por mim. Por aquele garoto de 17 anos que chegou em São Paulo louco de vontade de pegar o primeiro avião, pra onde quer que ele o levasse. Farei isso pelo cara que está prestes a completar 35 e cansou de fugir para seu mundo alternativo. Mas farei isso principalmente pelo sessentão ter histórias reais para contar para seus filhos, netos, sobrinhos.
Porque histórias de super-heróis não são páreo para aventuras reais.

E você? Já esteve em algum lugar incrível?

Quem quiser, veja o trailer abaixo. (Se não quiser, ouça a música lá em cima. É muito foda! Toca no filme, por isso está aqui ) 






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