terça-feira, fevereiro 11, 2014

Superstição




Se tem uma coisa que eu sou e não queria ser, é gordo, ansioso, supersticioso. Puta coisa chata. E é uma coisa de maluco, não é engraçado. Não pra quem é. E, ao menos aqui em casa, isso está no DNA, uma das coisas que herdei do meu pai.
Poderia dar vários exemplos, mas para que eu não seja internado, vou falar só do último jogo do Palmeiras. 
Peguei minha camisa da sorte e fui ao Pacaembu com meu pai, que estreava sua camisa que dei de aniversário. Depois de alguns anos enxergando mal o jogo, fui usando meus óculos. Via o jogo como há muito não via, com nitidez, foco, profundidade. Ah, que beleza! Torcida cantando, Palmeiras jogando muito até que...gol do Audax. Puta que pariu! 
Aí começaram os rituais. Troquei o relógio de pulso, levantei e, depois de algumas jogadas, troquei de lugar com meu pai. Nada. 
 E o tempo passando. Cismei com a camisa do meu pai. Pensei "droga, ele deveria ter vindo com a verde." Pra piorar, começou a chover. As gotas molhavam as lentes dos óculos, deixando a situação ainda pior. 
Falta.
Tirei os óculos pra ver o lance com a antiga visão meia-boca.
Gol!
Festa na arquibancada! Ainda faltavam 15 minutos, somando os acréscimos. Vai dar!
Penalti! Alan Kardec na bola. Barbada. A chuva, agora, era uma garoa xoxa. O sol vai brilhar pra nós. Quero ver o gol direito. Coloquei os óculos, o juiz apitou e....O goleiro pegou.
E agora?
Faltavam apenas 5 minutos. Tirei os óculos e nada.
1x1
Caminhávamos em silêncio até o carro. Esboçamos alguns comentários sobre o gol que o Leandro perdeu, a defesa do goleiro.
Entramos no carro e chegamos à conclusão do que impediu que o Palmeiras ganhasse.
Uma camisa nova e um par de óculos.
Adeus nitidez, foco, profunidade... 



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