domingo, dezembro 22, 2013

Carta para a vovó - parte 2

É vó, não adiantou. Escrevi aquela carta, mas não deu. São dois anos sem a senhora, Vó. Desde então, eu aprendi que saudade não mata, mas nos ensina a aproveitar melhor os momentos que temos ao lado das pessoas que mais amamos. Se eu tivesse a chance de fazer um pedido, queria voltar no tempo e ter me despedido da senhora, agradecendo por tudo que me ensinou ao longo da vida. Não deu tempo, mas não tem problema. Foi tanto amor e carinho nos 31 anos que passamos juntos.
Alguns dias depois que a senhora se foi, teve o amigo secreto no Natal. Descobri que a senhora tinha me tirado. Chorei. O Natal foi triste, assim como meu aniversário e o Ano Novo. Eu tentei fazer minha parte, festejar muito, pois a senhora adorava uma festa. Logo depois o Gabriel nasceu, lindo, cheio de energia e muito inteligente. A senhora iria adorar amassar a cara dele igual fazia com a minha. 
As coisas lá no trabalho melhoraram muito, mas eu continuo trabalhando igual égua de oveiro. Não casei com a filha da Dona Glória, mas não tem problema. Aliás, acho que aquela profecia que a senhora fez quando eu tinha uns 18 anos vai se cumprir. (segredo nosso..rs). 
Tô ficando cheio de cabelos brancos, barrigudo, mas ainda tô com a pele boa que a senhora falava. 
Ah, depois de um ano do Gabriel, nasceu a Júlia. Uma princesa, vó, precisa ver. 
A Kelly casou, o Danilo e Mariana estão bem, cada dia maiores e o Juan também, tudo certo por aqui.

Os últimos dois anos foram os mais difíceis. Não imaginava que a senhora fosse ficar longe de mim mais que uma semana. Já foram 111. 
Vou me virando aqui e, apesar da saudade, eu sei que a senhora está sempre comigo e eu sempre com a senhora.
Acho que, aos poucos, finalmente, estou me tornando uma pessoa melhor, que certamente a senhora teria muito orgulho. De todas as lições que a senhora me ensinou, duas são fundamentais na minha vida. Ser humilde em qualquer situação e a principal de todas, nunca desistir. Obrigado por tudo, véinha. Eu queria mesmo que a senhora ainda estivesse aqui, mas, como bem dizia, "Não tem que fun, nem que rifunfun, a lei é que manda."

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